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Ministra da Igualdade Racial dialoga com comunidades tradicionais de terreiro de RioGrande; veja fotos

A atividade teve momento de valorização das expressões culturais afro-brasileiras, especialmente as ligadas ao batuque - tradição ancestral de matriz africana enraizada no Rio Grande do Sul. O governo Federal homenageou lideranças das comunidades tradicionais de terreiro

A ministra de Igualdade Racial, Rachel Barros, fez rápida passagem por Rio Grande na manhã desta quinta-feira, 30 de abril, para participar de encontro sobre pautas com representantes de movimentos negros e de religiões de matriz africana. Rachel foi recepcionada no salão Deputado Carlos Santos, nome que homenageia o primeiro negro presidente da Assembleia Legislativa do Estado e o primeiro governador negro do Rio Grande do Sul. Rachel também visitou a exposição “Coleção Batuque aprisionada na Alemanha” na Fototeca Ricardo Giovannini, aberta até dia 11 de junho.

A ministra comentou que o povo de matriz africana é aquele que historicamente resiste para manter as tradições de sua ancestralidade e exercer sua crença com direito, dignidade e liberdade. “Estou muito feliz de ser recebida com tanto axé, para fazermos coisas importantes. E uma delas é o reconhecimento de que o povo de terreiro, do batuque, é um povo que promove igualdade racial e mostra sua resistência, ancestralidade quando cultiva suas ervas, faz seus rituais, acolhe quem precisa, e é espaço de cuidado, promovendo igualdade racial”, afirma.

O vice-prefeito Renato Gomes representou a prefeita Darlene Pereira que está cumprindo agenda em Brasília, e destacou a importância da atividade pela presença expressiva de representações dos povos de terreiro, de matriz africana, para tratar de políticas importantes de igualdade racial junto à ministra Rachel Barros. “Estamos comprometidos com essa pauta tão relevante, tão importante na história do Brasil, do Estado e do Município. O Município sempre foi pioneiro nessa pauta e nós estaremos sempre tratando com muito respeito e valorizando a matriz africana aqui no Rio Grande”, assegurou. 

Sagrados do Batuque gaúcho na Alemanha e Museu do Batuque

Entre as principais pautas debatidas esteve a repatriação de artefatos sagrados do Batuque do Rio Grande do Sul, atualmente sob guarda do Museu Etnológico de Berlim, na Alemanha. O Município, por meio da Coordenadoria da Igualdade Racial, já encaminhou ofício ao ministério solicitando apoio no processo, órgão que tem atuado como parceiro para o retorno desses materiais. A solicitação é fundamentada em um dossiê que documenta a apreensão violenta de 67 artefatos afro-brasileiros no final do século XIX, durante uma cerimônia religiosa no Rio Grande do Sul.

Posteriormente, os itens foram enviados à Europa, em 1880. Para a coordenadoria, os objetos representam memória, ancestralidade e cultura afro, sendo portadores de axé e saberes ancestrais, e não meramente peças de coleção. Conforme o coordenador, Chendler Siqueira, também existe o projeto de criação do Museu do Batuque, indicação da vereadora Maria Regina da Conceição Moraes (a Regininha), acolhida pelo Executivo Municipal. A ideia é que o local possa, futuramente, recepcionar os materiais sagrados que contam essa história do começo do batuque e da resistência negra na região Sul do Brasil.

“A intenção é salvaguardar e também difundir a história de constituição do Batuque do Rio Grande do Sul. Um processo de resistência das comunidades tradicionais de matriz africana que, por meio dos terreiros, conseguiram manter valores civilizacionais, organização social e política. Nós temos aqui saberes e fazeres tradicionais, ancestrais, milenares, nada mais justo que a cidade berço nacional do Batuque recepcione esses itens”, comenta. Dessa forma, o Museu do Batuque poderá contar a história de resistência gaúcha negra para todo o Brasil, sobre como se constituiu esse movimento.

  • Chendler Siqueira acrescenta que o Rio Grande do Sul era um estado para onde negros e negras escravizados eram mandados como castigo por se insurgirem contra o sistema escravocrata em todo o Brasil. 
  • “A expectativa de vida que não chegava a oito anos como escravizado. Então conseguir resistir com todos esses valores e preservar todas as ritualísticas, os saberes e a fé na ancestralidade negra, foi um feito e tanto. Precisamos de espaços institucionais que guardem essa memória. A gente precisa ter orgulho dela e difundir para novas gerações, para que nunca se esqueça e para que não mais aconteça”, acrescentou. 

Pesquisa sobre os terreiros no Rio Grande

Siqueira ainda destacou que o Município está executando uma pesquisa de mapeamento dos terreiros em Rio Grande. A equipe já percorreu nove dos 50 bairros da cidade, de “porta a porta”, e só nessas áreas, já foram registrados cerca de 1.100 terreiros. “Isso contribui para a confirmar para quando dizemos que somos o berço nacional do batuque. Precisamos construir políticas que sustentem essa narrativa, e não só reconheçam e tratem com dignidade, com respeito, mas também valorizem essa cultura de Rio Grande”, comenta.

  • Também participaram da reunião o secretário de gestão do Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir), Clédisson Júnior, e a diretora de Políticas Públicas para os Povos Tradicionais de Matriz Africana e Povos de Terreiros do Ministério de Igualdade Racial (MIR), Luzi Borges. 

Entrega de Homenagens

A atividade também foi marcada por um momento simbólico de valorização das expressões culturais afro-brasileiras, especialmente aquelas ligadas ao batuque – tradição ancestral de matriz africana enraizada no Rio Grande do Sul. O governo Federal realizou a entrega de placas de homenagem às lideranças das comunidades tradicionais de terreiro.

Babas e Iyas mais idosos

  • Iya Alzenda Maria de Iansã, Ile Nagô de Iansã e Xangô
  • Iya Otilia de Souza de Ogun, C.E.U Reino de Ogum, Yansã e Rei dos Índios, seguidores de Yansã e Juremita
  • Baba Jorge Nogueira de Xangô, Ile Oxum Linde e Xangô Yedu
  • Baba Pedro da Silva de Oxum, Templo Africano de Oxum Brilham
  • Baba Olmiro de Deus de Ogun, Casa de Nação Nagô Filhos de Ogum, Iemanjá Odé e Iansã
  • Iya Veronilda Maria Graça de Oxum, Casa de Oxum Taladê
  • Iya Marli Charão de Bara, Ile Axé Bara Ionan
  • Iya Sirlei Maciel de Oya, Ilê Oya e Ogum

Terreiro de Umbanda Mais antigo do Estado

  • Reino de São Jorge, Cacique Ivone Varella

Ile mais antigo ainda em funcionamento (terceira geração)

  • CEU. Reino de Iansã e Juremita – Iya Jane Vaz de Bara.

Terreiro invadido e demolido em Rio Grande

  • CEU Caboclo Tartaruga, seguidores de Pai Cacarandi de Primeira, Cacique Ademir Corrêa. 

 Organizadora da maior festa de Iemanjá do sul do Brasil

  • União Rio-grandina de Umbanda e Cultos Afro Mãe Iemanjá – Iya Maria Erotildes de Oya

Representação, articulação e organização política do 1° Conselho Municipal do Povo de Terreiro, instituído por Lei no Brasil, que completou 10 anos de fundação

  • Presidente: Baba Chendler Siqueira de Xangô, Comunidade Tradicional de Matriz Africana Nagô Ilé À Ògún ati àngó
  • Vice-presidente: Luiz Otávio de Ogun, Ilê Alagbede
  • Iya Flávia Padilha de Iansã, Ìlé Axé Aloyá ìfokànrán
  • Iya Carla Trindade de Oxum, Ilé Àse Osun Doko Osàlá Orúnmìlà
  • Baba Gabriel Cavalcante de Oxalá, Reino Africano de caridade Pai Oxalá e Mãe Oxum
  • Iya Elizete da Rosa de Iemanja, Reino de Iemanjá e Abasse de 7 Catatumbas
  • Baba Anderson de Oya, Casa De Nação Jejê Nago Ylê De Oya Kitalá
  • Iya Rubia Cozza de Oxum, Egbé Ile Ife

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