Economia

Concessão de hidrovias teve audiência pública em Rio Grande

Projeto concede mais de 500 quilômetrtos de vias navegáveis por até 25 anos. Audiência pública foi realizada em Rio Grande

Uma audiência pública realizada nesta quarta-feira, dia 7, promovida pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) e Ministério de Portos e Aeroportos, tratou sobre a Concessão do Sistema Aquaviário Integrado do Sul e Lagoa Mirim (SAIP Sul-Mirim). O encontro foi no Centro de Convívio dos Jovens do Mar (CCMar) para discutir aquela que pode ser a primeira concessão hidroviária integrada do Brasil. O prazo para apresentação de sugestões agora está esgotado.

O objetivo é entregar à iniciativa privada a manutenção, operação e realização de investimentos em 510 quilômetros de hidrovias do Rio Grande do Sul. A proposta – Sistema Aquaviário Integrado do Sul e Lagoa Mirim (SAIP Sul-Mirim) envolve estruturas estratégicas para a navegação no Estado, incluindo a Lagoa dos Patos, Lagoa Mirim, Canal São Gonçalo, Lago Guaíba, rios Jacuí, Caí, dos Sinos e Gravataí, além dos acessos aquaviários aos portos de Rio Grande, Pelotas e Porto Alegre.

Atualmente os serviços de dragagem e sinalização dos canais navegáveis são contratados diretamente por órgãos públicos. De acordo com o presidente da Portos RS, Fábio Machado, com a concessão a empresa vencedora passaria a ser responsável por executar esses trabalhos de forma contínua ao longo do contrato. “Envolve sinalização náutica e dragagem dos canais. Então tem uma série de serviços que serão passados para a iniciativa privada mediante essa concessão. A meta é manter profundidade para a navegação, a sinalização dos canais e oferecer segurança ao transporte de cargas.

Prefeitura e UFPel avaliaram a proposta

A reitora da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Ursula Rosa da Silva, explicou que o sistema abrange a Barragem Santa Bárbara, no Canal São Gonçalo, responsável pelo abastecimento de água de cerca de 500 mil pessoas das cidades do Rio Grande, Pelotas e Capão do Leão, além de 400 mil hectares de áreas. E ressalta que a barragem, construída em 1977, necessita de uma revitalização estrutural e tecnológica.

Segundo Ursula a estrutura possui tecnologia da década de 1970, com sistemas predominantemente manuais e analógicos, e já apresenta limitações que precisam ser consideradas diante das novas demandas para o sistema aquaviário. Ela chamou atenção para a necessidade de avaliar a capacidade para uma eventual ampliação da circulação de embarcações, os tipos e volumes de cargas que poderão ser transportados e os possíveis impactos sobre a qualidade da água.

Para a prefeita Darlene Pereira, sde Rio Grande, a audiência foi importante para discutir a agilidade e competitividade da área portuária e de hidrovias. Ela manifestou preocupação com serviços fundamentais, como o abastecimento de água, que em Rio Grande depende muito do sistema da Barragem Santa Bárbara, Lagoa dos Patos e Lagoa Mirim. Ela destacou esse e outros pontos importantes da discussão.

“Um dos principais pontos é o acesso ao abastecimento de água, seja para o consumo humano ou para a agricultura. Temos a questão da competitividade, custos das tarifas geradas a partir desses serviços para o setor portuário. Também é preciso pensar no turismo, na pesca, temas importantes para a nossa região”, comentou a prefeita durante sua participação na audiência pública desta semana.

O que falta definir

  • Qual será o valor da futura tarifa de concessão
  • Quem será o vencedor da operação
  • O cronograma exato para publicação do edital
  • Quando os serviços passariam efetivamente para a iniciativa privada
  • Como funcionará o período de transição entre o modelo atual e o futuro concessionário

O objetivo estratégico é reduzir o custo do transporte substituindo o modal rodoviário pelo hidroviário, garantindo calado regular e previsibilidade no escoamento de safras agrícolas e insumos industriais até o Porto de Rio Grande. O prazo inicial considerado é de 25 anos.

A audiência desta semana recebeu manifestações e subsídios dos entes envolvidos e comunidades que utilizam diretamente a infraestrutura da Metade Sul do Estado. As informações serão compiladas e consideradas para a formatação do futuro edital

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