Antônio Gonçalves

Fogo de chão!

Buenas, amigo leitor.

Com permisso para adentrar no teu rancho com este chasque missioneiro, trazendo na garupa almenaras de ternura e muita paz para todos.

Com a devida vênia dos meus leitores, me permito dedicar na coluna à todas as minhas leitoras que, graças a Deus, não são poucas, inclusive a minha prenda Erica, por meio da poesia do Pedro Ortaça que diz tudo sobre a nossa segunda metade que, o Patrão colocou em nossa trilha terrena.

Companheira

“Flor gaúcha, alma da querência
Companheira de muitas caminhadas
Fibra de mulher, doce paciência
Das sangas cruzando as canhadas
Fibra de mulher, doce paciência
Das sangas cruzando as canhadas

Companheira, companheira
Que sonhei desde guri
Aroma de flor silvestre, Caati-porã, Ivoti

No jeito terno de servir o mate
No gesto firme diante as incertezas
Quanto apoio no mais duro embate
Quantos carinhos pra matar tristezas
Quanto apoio no mais duro embate
Quantos carinhos pra matar tristezas

Companheira, companheira, que sonhei desde guri
Aroma de flor silvestre, Caati-porã, Ivoti

Vamos mateando nossas alegrias
Veja que lindos filhos que criamos
Aquecendo nosso amor todos os dias
São seivas puras dos mates que cevamos
Aquecendo nosso amor todos os dias
São seivas puras dos mates que cevamos

Companheira, companheira, que sonhei desde guri
Aroma de flor silvestre, Caati-porã, Ivoti”

Momento cultural

Na época da colonização, no Brasil, para conseguir melado, os escravos colocavam o caldo de cana de açúcar num tacho e levavam ao forno. Não podiam parar de mexer até que se formasse uma substância
consistente.

Numa certa ocasião, os escravos, já cansados de tanto mexer, e os serviços ainda por terminar, simplesmente parou o que fazia e o melado “melou”.

O que fazer agora?

A saída encontrada foi guardar o melado estragado meio escondido do feitor. No dia seguinte os escravos se depararam com o melado azedo e fermentado. Mas como não são burros, eles não pensaram
duas vezes e misturaram o tal melado azedo com o novo, e levaram os dois ao fogo.

Resultado: o azedo do melado antigo era álcool e aos poucos foi evaporando, e formaram-
se no teto do engenho umas goteiras que pingavam constantemente.

Essa boa ideia, já formatada, que pingava do teto, deu o nome de… Pinga!

Quando a pinga pingava nas costas deles, marcadas pelas chibatadas dos feitores, ardia muito, por isso também deram o nome de… Aguardente!

Caindo em seus rostos, escorria até suas bocas e, lambendo os beiços, os escravos perceberam que, com a tal goteira, ficavam alegres e trabalhavam mais, e às vezes dava até vontade de dançar.

E sempre que queriam ficar alegres. repetiam o processo. Resumindo: Não basta beber, tem que
conhecer.


Até de Repente
toninho.sbs@gmail.com

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