Espaço de Leitura Julieta Amaral é inaugurado no Mercado Público
O local fica próximo à entrada do Mercado Público, voltada para a Lagoa dos Patos e já está disponível para uso da comunidade
O Espaço de Leitura Julieta Amaral, junto ao Mercado Público Municipal de Rio Grande, foi inaugurado nesta sexta-feira, 27 de março, pela Prefeitura Municipal de Rio Grande. A iniciativa é da Secretaria de Município da Cultura e Economia Criativa (SMCEC), por meio do Núcleo do Livro, Leitura e Literatura. O objetivo é transformar o espaço em ponto permanente de circulação de livros, incentivo à leitura e promoção de atividades culturais abertas à comunidade.
Instalado em um dos corredores do Mercado Público, o espaço foi pensado para funcionar como ambiente de acesso à literatura, onde a população poderá retirar, trocar e doar livros, fortalecendo uma rede solidária de compartilhamento de conhecimento e cultura. Na inauguração, a coordenadora do Núcleo do Livro, Leitura e Literatura, Luciana Gepiak, destacou que a iniciativa busca consolidar o Mercado Público também como um espaço de convivência cultural.
A ideia, afirmou, é que o local se torne referência para a circulação de livros na cidade, em um ambiente já marcado por forte valor histórico, social e cultural. Luciana disse que a proposta vai além da disponibilização de livros, prevendo ações de fomento à leitura, como saraus, lançamentos de novas obras e rodas de conversa promovidas pela SMCEC e pelo Núcleo ao longo do ano.
Homenagem à Julieta Amaral
O novo espaço leva o nome da Julieta Amaral, rio-grandina homenageada por sua trajetória pioneira, representatividade e legado na comunicação estadual, sendo a primeira jornalista negra a ser repórter de televisão no Rio Grande do Sul. A escolha, conforme explicou Luciana, partiu do desejo de vincular o projeto ao nome de uma personalidade marcante da cidade.
Julieta foi lembrada como uma mulher negra de grande relevância na comunicação local e estadual, que abriu caminhos e se tornou referência para diferentes gerações. A homenagem também busca preservar sua memória junto à comunidade, permitindo que sua história siga sendo conhecida por quem conviveu com seu trabalho e também pelas novas gerações.
- A secretária de município da Cultura e Economia Criativa, Rita Rache, comentou o valor simbólico da iniciativa e a importância de inserir o livro no cotidiano da população, aproximando a leitura dos espaços públicos e da vida das pessoas.
Ela destacou que o Mercado Público é um lugar de grande significado para a cidade e especialmente para a população negra, reunindo memórias, convivência e pertencimento. Para a secretária, a criação do Espaço de Leitura Julieta Amaral representa não apenas uma ação de incentivo à leitura, mas também um gesto de valorização da memória, da cultura e da identidade rio-grandina.
Outra manifestação carregada de sentimento foi do secretário de Relações Institucionais e Comunitárias, Cláudio Costa. Ele fez um testemunho na cerimônia e lembrou a atuação de Julieta Amaral como jornalista comprometida com as pautas sociais e a visibilidade de temas muitas vezes ausentes da cobertura cotidiana. Ao recordar a relação da profissional com as causas populares, ele citou a importância de associar seu nome a um espaço de caráter público voltado à formação cidadã.
Família agradece
Em nome da família da jornalista, falecida em outubro de 2024, o marido, professor Pedro Amaral, agradeceu à Prefeitura pela homenagem e destacou a profunda ligação de Julieta e seus familiares com o Mercado Público. Ele lembrou que o pai de Julieta, Enedino Amaral, trabalhou por muitos anos no Mercado, em uma trajetória profissional que marcou a história da família no local. Para ele, a inauguração do espaço no mesmo ambiente carrega um forte sentido afetivo e simbólico.
Livros doados
Além da inauguração do espaço, a solenidade ainda teve doação de livros, reforçando o caráter colaborativo da proposta. Com a criação do Espaço de Leitura Julieta Amaral, a literatura negra e a literatura em geral passam a dispor de um ambiente de valorização em Rio Grande. Uma das primeiras doações partiu da professora Claudiomara Farias da Luz, especialista em História Afro-brasileira e ex-colega da homenageada. Entre as publicações doadas por ela está o livro Rebelião Escrava no Brasil, do autor João José Reis.







