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Cobrança de pedágio na área urbana de Rio Grande é contestada

Políticos e lideranças do Município manifestaram inconformidade na audiência pública realizada em Pelotas

n Silvestre Silva Santos

A instalação de um pórtico de cobrança de pedágio na área urbana de Rio Grande, entre a cidade e as localidades da Quinta e Povo Novo, foi duramente contestada pelos representantes do Município que estiveram terça-feira, dia 17 de março, na audiência pública realizada na Universidade Federal de Pelotas justamente para tratar do novo modelo de concessão, localização dos pontos de cobrança e valores das tarifas a serem praticadas. Antes da reunião em Pelotas, um encontro aconteceu em Rio Grande, na sede da empresa Portos RS.

Para o presidente Cristiano Klinger, da Portos RS, o alinhamento técnico é fundamental para garantir um projeto mais eficiente. “Estamos tratando de um eixo logístico essencial para o Estado. A qualificação dessas rodovias impacta diretamente na competitividade do porto e de toda a cadeia produtiva”, destacou. O gerente de Planejamento e Desenvolvimento, Fernando Estima, ressaltou o carater técnico da agenda. “Foi um momento importante para apresentar nossas contribuições de forma estruturada, abordando projetos, demandas e oportunidades de melhoria, qualificando ainda mais o debate”, afirmou.

Deputados manifestaram contrariedade

Os dois parlamentares eleitos pela região Sul do Estado, o deputado federal Alexandre Lindenmeyer e o deputado estadual Halley Lino de Souza, se manifestaram durante a audiência pública da ANTT realizada terça-feira em Pelotas, criticando o modelo proposto e defendendo alternativas que levem em consideração os impactos econômicos e sociais para a região.

O deputado federal Alexandre Lindenmeyer destacou os prejuízos históricos causados pelo modelo anterior de pedágio. Segundo ele, durante quase três décadas a cobrança com valores elevados (os mais caros do Rio Grande do Sul) comprometeu o desenvolvimento regional e impactou diretamente a competitividade logística do Estado.

“O modelo de pedágio que vivemos por 28 anos dificultou o desenvolvimento econômico e social da nossa região. Não podemos mais conviver com uma proposta que repita essa lógica. É inadmissível, por exemplo, a cobrança em áreas urbanas, dividindo as nossas cidades”, afirmou.

Nós temos representatividade para dizer no Ministério que não queremos o Lote 4 na concessão, o que vai diminuir inclusive o custo do pedágio” – Alexandre Lindenmeyer, deputado federal

Já o deputado estadual Halley Lino de Souza considerou o momento atual decisivo. “Estamos diante de um momento histórico. A região foi duramente impactada por um dos pedágios mais caros do País, o que afetou diretamente empregos, o custo do transporte e o desenvolvimento econômico. A população não aceita mais ser prejudicada”, afirmou.

  • Halley destacou, ainda, pontos técnicos a serem revistos na proposta, como o cálculo do volume médio diário de veículos, os custos operacionais e a composição da tarifa.

“É preciso reavaliar os critérios que compõem o valor do pedágio. Defendemos, por exemplo, que obras como as do Lote 4 e da ponte do Canal São Gonçalo sejam tratadas como responsabilidade do governo Federal, sem impactar diretamente a tarifa. O modelo precisa ser justo. Não podemos admitir cobranças dentro das cidades, nem aumentos abusivos, como o percentual adicional para caminhoneiros”, disse.

  • O deputado também criticou o modelo de cobrança automática (free-flow), alertando para possíveis penalizações indevidas aos usuários.

Como funciona o pedágio free flow

  • O registro dos veículos que passam pelo free flow ocorre em pórticos de estruturas metálicas, com câmeras e sensores, que fazem a leitura da placa ou de tag dos veículos.
  • Placas de sinalização indicando a proximidade do pedágio eletrônico free flow destacam os valores e os meios de pagamento.
  • Painéis digitais em cima das estruturas de cobrança eletrônica também reforçam esses pontos, inclusive com indicação da velocidade recomendada.
  • Não existe velocidade específica para passar pelo pórtico de free flow. O condutor tem de respeitar a mesma velocidade do trecho onde pórtico está instalado.
  • Após o pórtico, também existem placas informando sobre o sistema e pagamento.
  • O motorista que passou pelo free flow, sem o tag de pagamento automático, tem até 30 dias após o registro para pagar a tarifa.
  • Caso não efetue o pagamento, será autuado com infração de trânsito no valor de R$ 195,23, mais cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação.
  • Mesmo com a multa, o motorista precisa quitar o débito da tarifa de pedágio com a concessionária.

O sistema de pedágio free flow já está em operação no Rio Grande do Sul, na Serra Gaúcha e no Vale do Caí, operado pela concessionária Caminhos da Serra Gaúcha (CSG)

Localização dos Pórticos

  • RS-122 São Sebastião do Caí
  • RS-122 Farroupilha
  • RS-122 Antônio Prado
  • RS-122 Ipê
  • RS-446 Carlos Barbosa
  • RS-240 Capela de Santana

As formas de pagamento incluem pix, cartão de crédito, ou débito automático via tag – mesmas tags que já são utilizadas nas cancelas de cobrança automática das praças de pedágio convencionais

No caso da CSG, modelo que pode ser adotado pela concessionária que assumir a administração das rodovias da região Sul, o pagamento pode ser realizado, também:

  • Digitalmente, pelo aplicativo “CSG FreeFlow” ou pelo site csg.com.br.
  • O cadastro no site e aplicativo da CSG também permite que o condutor seja notificado sobre tarifas em aberto e prazos para pagamento, diminuindo as chances de multa.
  • Presencialmente, nos totens de autosserviço em nove bases de atendimento ao cliente.

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