Chegamos à quarta parte da saga da Invasão Britânica. Na verdade, agora vou abordar um pouco da também chamada Segunda Invasão Britânica, que se iniciou no começo da década de 1980, mais precisamente em 1983. Porém, essa segunda invasão foi impulsionada por um advento que facilitou muito a divulgação e consolidação das bandas da Terra da Rainha: a criação da MTV nos EUA.
Inaugurada exatamente à meia-noite do dia 1º de agosto de 1981, a MTV revolucionou a cultura e a moda através de uma linguagem própria e singular, ditada pelos VJs (os DJs modernos, por assim dizer).
Se, nos primórdios do rock, os DJs eram os influenciadores culturais via rádios e eventos ao vivo, nos anos posteriores à criação da MTV, era a hora dos VJs ditarem as regras, levando à uma juventude faminta por novidades uma leva de novos e velhos, por que não, artistas do pop, do rock e de outros estilos.
A moda e o comportamento passariam, a partir dessa data, a serem moldadas por muita inovação musical e videoclipes criados em escala industrial desfilando 24h/dia na TV, a grande influenciadora dos costumes das novas gerações.
Pois bem! Nessa levada visual sedenta por novidades, uma outra trupe inglesa surgia frente a ávidos consumidores de sons e imagens. Seguindo o exemplo das bandas que as sucederam, expoentes de estilos um tanto mais diversos, como synth-pop, new wave e o new romantic, chegavam aos lares dos jovens americanos bandas como Duran Duran, Thompson Twins, Eurythmics, Culture Club, que conquistavam corações e mentes da juventude dos EUA com doses maciças de canções ora dançantes, ora românticas.
Na esteira desse sucesso não tardou para uma nova leva de britânicos fazerem a cabeça dos consumidores pelas terras de Tio Sam: era a chegada de Depeche Mode, OMD, The Cure, Tears For Fears, Pet Shop Boys e dos herdeiros da icônica banda Joy Division (do lendário vocalista Ian Curtis), o New Order.
A cena britânica no começo dos anos 1980 era dominado pelo pós-punk e pela new-wave, e já nestes primeiros anos da década, Dire Straits e The Police já alcançavam o Top 40 (comum nas rádios americanas) com sucessos como Sultans of Swing e Roxanne, respectivamente. O Dire Strairs, diga-se, tem uma história inusitada com a MTV. Seu vídeo premiado no MTV Music Awards, Money For Nothing era, justamente, uma crítica à ideia do que as pessoas “comuns” faziam dos músicos que agora bombardeavam a programação televisiva o dia inteiro.
A letra, em determinado momento, fala em “Money for nothin’and chicks for free”, ou em tradução livre, “dinheiro por ‘nada’ e garotas de graça”. A música carrega outras polêmicas em sua letra, mas isso é papo pra outra hora…
Mas nessa segunda invasão não foram apenas as bandas de new wave e afins que aportaram por todo o EUA. Expoentes do heavy metal, como Iron Maiden, Saxon, Def Leppard, Motörhead, dentre outras, também se fizeram presentes e ganharam espaço na mídia americana. Sons mais alternativos, como das bandas Stone Roses, The Smiths e Echo & The Bunnymen também angariavam fãs e simpatizantes, graças não apenas à sua qualidade musical, mas por videoclipes muito bem produzidos, dando imagens inesquecíveis ao som produzido por elas.
Todos se beneficiaram com a MTV, mas poucos souberam aproveitar tanto de sua estética nos anos iniciais como o Duran Duran. Billy Idol foi outro que incorporou a estética televisiva, catapultando seu segundo álbum – Rebel Yell – à cifra de 2 milhões de unidades em vendas. Na próxima semana, findaremos essa invasiva saga com mais algumas curiosidades e abordando a Britpop, talvez a última grande invasão, até agora, da música britânica atravessando o oceano.
Até lá!



