Esporte

Atleta de Rio Grande está nas Olimpíadas de Inverno 2026

Nicole Silveira é formada em Enfermagem, mora desde os sete anos no Canadá e representa a bandeira verde-amarela na difícil modalidade do skeleton

Silvestre Silva Santos
ssilvsantos@uol.com.br

Ela nem mora aqui, mas tem a maresia da “noiva do mar” e o cheiro do peixe vendido no Mercado Público Municipal impregnado na pele. Ah, e o cordão umbilical de Nicole Silveira repousa em algum lugar de Rio Grande, onde ela nasceu há 31 anos, em 7 de maio de 1994. Quer queira, ou não, vai representar o Município, o Rio Grande do Sul e o País, nos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026 que se iniciam nesta sexta-feira, 6 de fevereiro, com chances de erguer a bandeira do Brasil em uma modalidade esportiva pouco conhecida no lado de cá do mundo: o skeleton.

Nicole Silveira, do skeleton, é a porta-bandeira do Brasil na solenidade de abertura na cidade de Cortina D’Ampezzo, nesta sexta-feira, 6 de fevereiro. Em Milão foi o esquiador alpino Lucas Pinheiro

A rio-grandina é a gaúcha melhor colocada do Brasil em esportes no gelo, conquistado na sua primeira olimpíada, em Pequim, 2022, quando ficou no 13º lugar. Ela mudou para Calgary, Canadá, com a família, quando tinha sete anos. Na América do Norte, praticou ginástica, futebol, vôlei e rugbi, e depois o fisiculturismo, onde participou de diversas competições até 2017. Depois de deixar o fisiculturismo, ela foi convidada para integrar a equipe de bobsled, modalidade em que os atletas deslizam em alta velocidade sobre uma pista de gelo, em cima de um trenó.

“Foi durante um dia de trabalho que um ex-colega meu veio fazer compras, descobriu que eu era brasileira, e perguntou se eu queria fazer parte do time de bobsled, que estavam tentando qualificar para os jogos de inverno de 2018”contou em entrevista ao Time Brasil. “Foi nessa temporada que o presidente da confederação perguntou se eu queria tentar o skeleton. Eu tentei, gostei, e agora estamos aqui”, comentou a atleta.

A trajetória de Nicole no skeleton iniciou em 2018, quando participou de uma escola da modalidade nos Estados Unidos. “Foi lá que comecei a aprender como ter controle no trenó. E aí, conforme fui tendo mais controle, eu fui gostando mais e mais”. Em sua primeira competição, na Copa América daquele ano, encerrou sua participação com o sexto lugar. Também foi a primeira brasileira a competir em um Mundial de Skeleton, sendo 24ª colocada.

Entre as suas principais conquistas estão:

  • Três medalhas de bronze em etapas da Copa do Mundo, sendo a última na etapa de St. Moritz em 2025.
  • Na temporada 2024/2025, Nicole foi a quarta melhor atleta do mundo, quando conquistou o nono lugar na classificação geral.
  • Em Pequim, em sua primeira Olimpíada, Nicole alcançou a 13ª colocação, somando 4min10s48 nas quatro baterias.
  • A rio-grandina foi a primeira a representar o Brasil no skeleton em uma edição de Jogos de Inverno.

LINHA DE FRENTE – Nicole também exerce a profissão de enfermeira em um hospital geriátrico de Calgary, terceira maior cidade do Canadá e importante centro econômico no setor de energia, com cerca de 1,3 milhão de habitantes segundo o censo de 2021. Na pandemia da Covid-19, trabalhou na linha de frente de combate ao vírus, atendendo no hospital pela manhã e treinando à tarde.

O que é o Skeleton

  • É um esporte olímpico de inverno criado na Suíça no final do século XIX e que fez parte das duas edições de Jogos Olímpicos de Inverno sediadas no país, em 1928 e 1948, antes de ser integrado ao programa dos Jogos a partir da edição de 2002.
  • A origem da modalidade está ligada à do bobsleigh (ou bobsled), tanto que até hoje as duas modalidades são administradas pela mesma entidade, a Federação Internacional de Bobsleigh e de Tobogganing, criada em 1923.
  • O skeleton começou a adquirir forma após a introdução, em 1892, de um novo tipo de trenó, feito de metal e mais adaptável ao formato do corpo humano.
  • As competições são em uma pista de gelo, geralmente construída artificialmente, em que os pilotos descem deitados de bruços sobre o trenó, que não possui freios
  • Por questões de segurança, os atletas devem utilizar capacete, traje com mangas e calças longas e sapatos com pregos, para evitar escorregões na corrida de largada.
  • A quantidade de descidas que cada piloto faz pode variar de duas a quatro, de acordo com a importância do evento.
  • Em todas, entretanto, o piloto que obtiver o menor tempo total é o vencedor.
Nicole (foto) disputa sua segunda Olimpíada de Inverno após ter alcançado a 13ª colocação em Pequim, em 2022, o melhor resultado do Brasil em esportes no gelo

“Pode ser um resultado histórico para o Brasil”

Rio-grandina Nicole Silveira é a grande aposta do País, no gelo, para os Jogos de Inverno

A representante de Rio Grande, Nicole Silveira , nos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026 vive o melhor momento da carreira e tem chances reais de alcançar um resultado histórico para o Brasil nas competições que têm abertura oficial nesta sexta, dia 6. A avaliação é do chefe da delegação brasileira e presidente da Confederação Brasileira de Desportos no Gelo (CBDG), Emilio Strapasson, que projeta a atleta de skeleton entre as principais concorrentes da competição. “A Nicole chega na melhor fase da carreira dela. Ela conseguiu, em muito pouco tempo, ser muito competitiva, coisa que atletas levam 12, 16 anos para conquistar esse nível técnico. Então ela chega com uma chance real de um top 6, um top 8, quem sabe até uma medalha. Ela está no jogo, está entre as favoritas”, garante o presidente.

PRESIDENTE CONTERRÂNEO – Também natural de Rio Grande, Emilio Strapasson, ex-atleta de skeleton e atual presidente da Confederação Brasileira de Desportos no Gelo (CBDG), é o chefe da Missão Brasileira nos Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026. Empresário e gestor esportivo, o gaúcho de Rio Grande foi o primeiro atleta de skeleton do Brasil a participar de campeonatos continentais e no Mundial de 2011, quando ficou entre os 30 melhores do mundo.

  • Os Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, ou XXV Jogos Olímpicos de Inverno, chamado por Milão-Cortina 2026, serão um evento multiesportivo nas cidades italianas de Milão e de Cortina d’Ampezzo, ambas no nordeste do país.
  • A cerimônia de abertura acontecerá a partir de 16h (de Brasília) desta sexta-feira, 6 de fevereiro.
  • Na 25ª edição dos jogos, em que a delegação brasileira terá número recorde, a cerimônia vai ocorrer em duas cidades distintas, incluindo os desfiles dos atletas.
  • A maior medalhista do Brasil em olimpíadas, Rebeca Andrade, será uma das 10 personalidades a carregar a bandeira com os aros olímpicos.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo
error: Cópia não permitida