Um grupo de moradores das ruas Hormell Nunes Duarte e Alameda João Leal, no Bairro Balneário Cassino, resolveu promover uma ação relacionada aos feminicídios ocorridos no Rio Grande do Sul. Foi inaugurado no Dia das Mães, 10 de maio, mais um Banco Vermelho, símbolo da luta das mulheres contra a violência. A iniciativa foi da procuradora federal Anaí Oliveira, apoiada por moradores como a professora da Universidade Federal de Rio Grande (FURG) Rita Neves e o médico e músico Leonardo Bulcão.
A prefeita de Rio Grande, Darlene Pereira, participou da inauguração, destacando o ato como “um importante exemplo de mobilização e consciência coletiva, da iniciativa comunitária e independente na luta contra o feminicídio”. O espaço foi revitalizado anteriormente pelos moradores e a instalação do Banco Vermelho, conforme Anaí, é um convite à reflexão e à construção de uma sociedade mais segura e respeitosa para todas. Ela se mostrou chocada com os números de feminicídios no Estado e lembrou os filhos que, no Dia das Mães, não teriam a quem abraçar devido à violência.
- A procuradora Anaí Oliveira lembrou a necessidade de que todos, homens e mulheres, tenham consciência para importância da educação formal e emocional, já que vários casos envolvem jovens nas escolas, mostrando misoginia e violência contra as meninas.
Para o morador Leonardo Bulcão, que pesquisou o significado do Banco Vermelho, está na hora de os homens mostrarem que estão ao lado das mulheres nessa luta, conversando sobre o assunto. “É preciso deixar de estar alheio ao que hoje está acontecendo”, disse ele, alertando que a violência de gênero começa na permissão da piada, do olhar maldoso, na convivência dos grupos de homens. Já a professora do curso de Direito da FURG, Rita Araújo das Neves, fez uma explanação sobre o projeto Banco Vermelho, uma iniciativa formalizada no Brasil desde 2024, integrando a luta contra a violência de gênero.
A docente lembrou o histórico de violências e impedimentos que a mulher sofreu ao longo dos anos e das respectivas legislações que a acompanham. E destacou as desigualdades entre homens e mulheres. “Segundo a Organização Não Governamental Lupa Feminista, essa forma de assassinato não constitui um acontecimento isolado, nem repentino ou inesperado. Ao contrário, faz parte de um processo contínuo, cujas raízes misóginas caracterizam o uso da violência extrema e inclui abusos, desde verbais, físicos e sexuais como o estupro, e diversas formas de mutilação e barbárie”.
A prefeita Darlene destacou que o ato foi um grande presente de Dia das Mães, e reforçou a importância da participação dos homens na luta: “Nós não nos matamos, alguém nos mata”, disse Darlene. “Esse é um ato revolucionário, quando a comunidade se dá conta de uma pauta e começa a se envolver, é assim que a gente vai transformar a realidade”. Também esteve no ato a delegada rio-grandina Vanessa Pitrez , diretora do Gabinete de Inteligência da Polícia Civil do Rio Grande do Sul.





