Educação & Cultura

Assembleia instala frente para valorizar Instituições Públicas de Ensino Superior do Estado

A iniciativa conta com a participação de parlamentares e representantes da sociedade civil, dirigentes universitários, professores, estudantes, técnicos-administrativos e servidores

A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul realizou a instalação, nesta segunda-feira, 6, em Porto Alegre, da Frente Parlamentar pela Valorização das Instituições Públicas de Ensino Superior do Estado. A iniciativa, da deputada Sofia Cavedon, busca diagnosticar a situação orçamentária dessas instituições para promover ações assertivas de apoio e fomento. A reitora Suzane Gonçalves, da Universidade Federal do Rio Grande (FURG) acompanhou o ato representando a instituição e o Fórum de Reitores das Universidades Públicas e Institutos Federais do Estado (Foripes), órgão do qual é a presidente.

A ação também tem como objetivo fortalecer a mobilização social frente aos desafios enfrentados pelas instituições. A proposta inclui a elaboração de um diagnóstico acerca dos impactos orçamentários sofridos nos últimos anos, além de estratégias para assegurar condições adequadas de funcionamento. A deputada destacou a importância de reconhecer os danos causados às Instituições Públicas de Ensino Superior gaúchas para que seja possível superá-los de forma eficiente, devolvendo a elas a capacidade plena de promover cidadania, pesquisa e formação profissional.

Suzane, por sua vez, ressaltou que as instituições públicas de ensino superior são responsáveis por uma atuação além da formação profissional, é também pesquisa, que, no Brasil, significa produção de conhecimento de alto impacto. “Dados nacionais mostram que 90% da produção do conhecimento científico é feita por meio das universidades, em sua maioria universidades públicas: estaduais e federais. Isso demonstra a relevância das nossas instituições. Esta frente parlamentar, que visa discutir a valorização dessas instituições, vem mostrar o que a gente faz: trabalho que volta para a sociedade; que busca dar resposta aos territórios nos quais estamos inseridos”, apontou a reitora.

Suzane relembrou a atuação das universidades durante momentos adversos, como a grande enchente de 2024 e a pandemia de Covid-19. “Algumas das nossas instituições também sofreram os impactos daquela enchente, mas os campi que não foram diretamente afetados, se colocaram à disposição para contribuir a partir de estudos que trouxeram aspectos sobre a resiliência, a previsibilidade de eventos extremos e, principalmente, sobre a forma com que devemos nos preparar para a possibilidade de novas ocorrências como aquela”, explica.

E completa “Naquela ocasião, em um momento em que poderíamos ter agido com muita eficiência junto ao Estado, infelizmente o governo do Rio Grande do Sul trouxe grupos internacionais para pensar como o Estado poderia se precaver em outros eventos como aquele, enquanto as nossas universidades, com seus estudos e expertises tinham plenas condições de contribuir, tanto que os grupos que aqui chegaram recorreram aos dados das nossas instituições para embasar seus trabalhos”.

Por fim, ela explicou os desafios orçamentários, que, atualmente, impedem as universidades de fazer investimentos, seja em infraestrutura, manutenção de equipamentos e melhorias de laboratórios. “O que temos hoje é o mínimo para o funcionamento e, em alguns casos, até o funcionamento fica comprometido. Precisamos ter um orçamento adequado para as nossas instituições. A produção de conhecimento precisa de laboratórios de ponta, preparar melhor os nossos professores, e isso só se faz com recursos, sejam eles financeiros ou em forma de equipamentos”, discursou a reitora.

Sobre a proposta

Protocolada pela deputada e atual vice-presidente da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, Sofia Cavedon, a frente parlamentar se ampara na grave crise financeira que as instituições públicas de ensino superior gaúchas enfrentam desde meados da década de 2010. Além disso, a proposta também enfatiza a importância de valorizar essas instituições como espaços de produção de conhecimento, cidadania e diversidade, bem como ponto estratégico no desenvolvimento social, econômico, científico e cultural.

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