A Invasão Britânica – como o rock tomou conta da cultura popular – Parte II
Marcelo Matos
Continuando com a saga da Invasão Britânica ao mercado norte-americano, temos que ter em mente que os expoentes da terra do Tio Sam não se entregaram com facilidade. Embora a qualidade reconhecida dos invasores (artistas do calibre de Rolling Stones, The Who, The Kinks, The Animals e muitos outros que seguiram os Beatles rumo ao continente americano), os ‘nativos’, por assim dizer, contavam com artistas fantásticos como Beach Boys, Bob Dylan, que se não era um estrondo nas vendas, era respeitadíssimo, sem falar das estrelas da soul music e do R&B, a grande maioria do selo da gravadora Motown.
Mas a tomada do território americano pelos britânicos era um caminho sem volta.
Em pouco tempo, a mídia e os apreciadores da música pop e do rock, viram-se fisgados e influenciados pelos artistas que seguiram os Beatles na travessia oceânica que mudaria os costumes mundo afora.
Se, por um lado, os Beatles agradavam às mocinhas, com uma música até certo ponto ingênua e aparência de bons moços, de outro lado viriam os ‘bad boys’ dos Stones, liderados por Mick Jagger, que tem longa história em nossa terrinha também. Embora a mídia vendesse ambas as bandas como antagonistas, inimigos e rivais ferrenhos, a verdade é que os membros das bandas são amigos e parceiros muito profícuos no meio musical.
Um exemplo clássico é o supergrupo The Dirty Mac (nessa banda, Lennon e Richards estavam juntos), uma parceria de grandes músicos que se apresentou no The Rolling Stones Rock and Roll Circus, um especial para tevê que contava com artistas do calibre dos Stones, The Who, Marianne Faifhful, Jethro Tull, dentre outros. Pois bem! Nesse espetáculo, uma banda para lá de peculiar, de nome igualmente peculiar, faria um show espetacular, o quinto da noite. O The Dirty Mac contava com ninguém mais, ninguém menos, que John Lennon (Beatles) nos vocais e guitarra base, Eric Clapton, o Deus da Guitarra, (do Cream, dos Yardbirds), como guitarrista solo, Keith Richards (guitarrista dos Stones) no baixo, e Mitch Mitchel, o extraordinário baterista do The Jimi Hendrix Experience.
Essa pérola está disponível no YouTube, não apenas o The Dity Mac mas todos os shows, no link
Ainda dentro dessa primeira onda de invasão, podemos destacar o The Who, a incendiária banda londrina que inspirou músicos mundo afora, tanto pela postura, criatividade e qualidade de seus quatro integrantes: Roger Daltrey (vocal), Keith Moon (bateria), Pete Towshend (guitarra) e John Entwistle (baixo).
Além de canções fantásticas, performances lendárias no palco e qualidade indiscutível, o The Who ainda nos brindou com uma ópera rock fantástica, Tommy, cuja qualidade os levou a ser a primeira banda de rock a se apresentar no Metropolitan Opera House de Nova York. Falarei mais sobre o The Who em outra coluna.

A seguir, mas não menos importante, temos The Animals, banda com grande inspiração no blues e no folk americano, liderada pelo vocalista, de voz inconfundível, Eric Burden. Um de seus maiores sucessos, The House of The Rising Sun (A Casa do Sol Nascente) é trilha sonora constante de filmes como Cassino e séries como Os Filhos da Anarquia, seja na versão original, seja em covers, interpretados por bandas como White Buffalo.
Seguindo The Who e The Animals, também aportaram nos EUA bandas como The Kinks, que acabaram sendo proibidas de fazer turnês pela terra de Tio Sam, devido às constantes brigas entre seus membros e um pouco pelo som mais pesado e visceral, contrastando com o rock tocado à época. Nessa leva também vieram The Hollies, Gerry & The Pacemakers, The Zombies e a clássica e menos reconhecida do que deveria, na minha opinião, The Yardbirds, que teve em sua formação nada menos do que três dos maiores guitarristas de todos os tempos: Eric Clapton, Jeff Back e Jimmy Page!

Só isso já bastaria para levar a banda ao panteão das melhores, não é mesmo?
Até semana que vem, querido leitor!



